30 março 2017

As redes sociais ocupam, definitivamente, um espaço significativo na vida dos brasileiros. Somos considerados como parte da realeza da zueira e estamos quase o tempo inteiro conectados. Um estudo divulgado no ano passado, da consultoria eMarketer, apontava o Brasil com mais de 93 milhões de usuários das redes (o maior número da América Latina), sendo que gastamos 650 horas por mês com esta atividade, 290 horas a mais do que lendo notícias. Não é novidade apontar a importância de sites como Facebook, Twitter e Instagram para as marcas dentro de uma estratégia de marketing de conteúdo.


Morte e humor no mesmo quadro conquistaram uma legião de admiradores | Fotos: Divulgação
Mas a pergunta que não quer calar: o sucesso nas redes significa que as coisas estão dando certo comercialmente? Para fazer a análise vamos abordar dois cases de sucesso: Cemitério Jardim da Ressurreição e Pontofrio. O primeiro exemplo parece estranho né? Mas a página é um fenômeno interessante e, por isso, a escolhemos. Atualmente são mais de 70 mil seguidores espalhados pelo país na fanpage do cemitério (carinhosamente chamado de #cemi) que fica na capital do Piauí. Com uma alta dose de humor, a página busca tratar com leveza o assunto morte. Abusando de memes e criatividade, eles têm métricas incríveis de interação. A página do Cemi teve uma mudança de postura em 2015 (voltando-se com afinco para o humor) e em 2016 tiveram uma resposta ainda mais contundente: houve um aumento de 56% nas vendas.

"(Apesar dos bons resultados) nosso objetivo principal não é vender jazigos. É ajudar a quebrar o tabu relacionado à morte. Além disso, a página ajudou a divulgar a marca, inclusivo, para outros estados", explicaram para a Incena Digital os administradores da fanpage, citando o branding.


No caso do Pontofrio, a história começou com um uso bem trabalhado no Twitter, que se repetiu no Facebook. O microblog atingiu a marca de meio milhão de interações após 8 anos de existência no serviço. As pessoas dialogam com o pinguim que representa a marca pelo Twitter e geralmente não ficam sem resposta. Há alguns anos, exatamente em 2013, a empresa chegou a divulgar um faturamento de 20 milhões devido a ações desencadeadas pelo rede de 140 caracteres.

O relacionamento através das redes sociais mudou completamente o jogo para o marketing digital. Com um contato mais direto e uma demanda quase imediata por resposta, o poder do usuário/consumidor aumentou consideravelmente. É importante que estejamos atentos à consolidação das redes sociais, assim como às possíveis mudanças de comportamento dos usuários. Não dá para ignorar, por exemplo, a importância de ter uma marca com presença forte no Facebook, rede com mais de 100 milhões de usuários ativos no Brasil (mais de 1 bilhão pelo mundo). A Incena quer te ajudar a entender esse mosaico e colocar a sua marca no lugar que ela merece. Vem com a gente!

17 março 2017

Quando um assunto vira debate aqui na agência, seja alguma situação dos nossos clientes ou o momento do mercado, pode ter mais gente pra discutir isso com a gente. Então, é assunto para trazer pro blog e deixar a caixinha de comentários sedenta.

Foi o que aconteceu quando lemos "A publicidade aspiracional já era" do Ricardo Sales. Fará toda diferença se você clicar no link e ler o texto do Ricardo para entender do que estamos falando. O autor constata que a publicidade que televisionava a família perfeita, corpos perfeitos, sonhados por todos, agora dá espaço a corpos e situações reais que nossa sociedade resolveu enfrentar. A imagem que acompanha o texto do Sales é a da campanha da Skol. O conceito de campanha é "Redondo é sair do seu quadrado" que consideramos ter sido inteligente e bem executado. A palavra do momento é representatividade, diz Ricardo em seu texto.



Assista ao filme


O ponto que discutimos

No trecho acima, o autor fala do "ativismo questionador" é aí que pensamos como a internet nos deu uma comunicação mais alerta para determinados assuntos. Quem trabalha com rede social sabe da preocupação que se tem de não receber uma enxurrada de comentários negativos sobre alguma postagem. Então, pelo novo movimento, tudo indica que a criação das campanhas está bem atenta para isso: o quanto os movimentos sociais ganharam força nas redes nesses últimos anos, seja o voltado às questões feministas, LGBT e raciais. De compartilhamento em compartilhamento, as minorias estão ganhando uma voz cada vez mais potente.

A campanha "C&A e vc" é um outro exemplo. Enfim, as marcas parecem ter acordado para o fato de que não são só jovens e magros que vestem suas roupas. Modelos acima do peso considerado “ideal” e mais maduros estampam
a campanha. Dê uma olhada nas lojas físicas e veja os banners da vitrine, eles nos mostram algumas histórias. Por exemplo, relata o caso de uma mulher que, aos 50 anos, decidiu fazer a primeira tatuagem. No site, lá no topo, é possível ver um gif em que a palavra C&A e ________ (um espaço em branco é preenchido aleatoriamente por nomes de pessoas). Veja no site http://www.cea.com.br/nova-colecao- outono-inverno/vitrine.



O Ricardo Sales celebrou a entrada da diversidade nas campanhas institucionais. A participação crescente do público também é comentada e comemorada por nós. Aqui no blog  já falamos de campanha de conteúdo gerado pelo usuário (CGU), por exemplo. O serviço de monitoramento da marca, seja no Reclame Aqui, nas próprias redes sociais, é importante e estratégico. Muitas empresas usam do monitoramento para interagir com seus usuários. Algumas já mudaram os produtos/serviços depois de receberem os relatórios de monitoramentos. Construir uma marca em que os próprios públicos se reconheçam na comunicação pode ser o esperado, mas fazer com que eles protagonizem é, cada vez mais, para marcas corajosos. Vamos lá! Coragem! 

08 março 2017

Nossa realidade muda cada vez mais rápido. E o marketing tem um papel muito importante nisso tudo. Pensa bem, cerca de 1.44 bilhão de pessoas acessam o Facebook e editam sua própria vida. Olha só quanto marketing envolvido! O termo, oriundo da língua inglesa, tem a ver com mercado, mas está cada vez mais presente até mesmo nos relacionamentos humanos (vide as redes sociais).

Com a mistura dos processos de comunicação que envolvem mercados e pessoas, as marcas e instituições também acabam tendo uma influência significativa nos debates da esfera pública. E muitas delas pegam carona em causas que ganham a atenção das pessoas por meio da convivência online. Que fique claro que aqui o termo "pegar carona" não necessariamente reflete oportunismo, mas sim uma questão de estar antenado e se colocar como personagem ativo nas questões sociais.


Vamos exemplificar. Muitas marcas e organizações do poder público se uniram para falar sobre o assédio contra as mulheres no Carnaval, no sentido de dizer um basta a esse tipo de manifestação. A marca de cerveja Skol participou pela segunda vez de uma ação interessante: #ApitoContraOAssédio. A ideia foi dar visibilidade e impedir qualquer tipo de assédio durante a celebração do Carnaval com uma proposta simples: se alguém passou dos limites, apite. Em 2017, a campanha aconteceu em São Paulo, Florianópolis, Salvador e Recife. A mudança de posicionamento da Skol é marcante. Em 2015, a marca foi alvo de duras críticas ao criar uma ação que dizia "Esqueci o 'não' em casa", sendo acusada de reforçar o assédio sofrido pelas mulheres.

Outros exemplos são marcas como Boticário e Netflix. A primeira fez uma campanha inclusiva no Dia dos Namorados de 2015, com manifestações de afeto entre casais homafetivos. A marca se viu no centro de uma polêmica após seu anúncio ser lançado na televisão e na Internet, quando foi ameaçada de boicote por homofóbicos (o que acabou aumentando a visibilidade dos seus produtos). A Netflix é famosa por celebrar a diversidade no próprio conteúdo, com histórias inclusivas no que diz respeito à etnia e orientação sexual (no caso do seriado Sense8, por exemplo, há dois casais homossexuais e um deles conta com uma mulher transexual).


O mais interessante é notar que a escolha das grandes marcas tem sido se posicionar, pois isso acaba sendo cobrado pelos consumidores. Vivemos um momento histórico onde a população em geral (no que diz respeito às redes sociais) escolhe um lado da questão e o defende com unhas e dentes. Acreditamos que as marcas buscam cumprir uma narrativa semelhante, mas, com certeza, com muito mais cuidado com a variedade de interpretações possíveis e consequências.

E você, já pensou sobre o assunto? Acha que é melhor as marcas ficarem distantes das questões sociais ou o engajamento é interessante?